
Participaram do encontro, juntamente com o autor, Maria Grazia Melchionni, diretora da Rivista di Studi Politici Internazionali, Roberto Cetera, ex-correspondente do Osservatore Romano em Israel e na Palestina, e Elisabetta Trenta, ex-ministra da Defesa.
“O livro de Napolitano — ressaltou Porta — não é um instant book e não se situa dentro de uma leitura “pró” ou “anti” alguém. É o trabalho rigoroso de um historiador que aborda uma tragédia ainda em aberto, sobre a qual os arquivos permanecerão fechados durante décadas e em relação à qual todo julgamento só pode permanecer provisório. Justamente essa consciência, essa honestidade intelectual, representa um dos maiores méritos do volume”.
Em sua intervenção, o Deputado reafirmou a condenação sem atenuantes do massacre perpetrado pelo Hamas em 7 de outubro de 2023: “Trata-se de um crime contra a humanidade. O pensamento vai para as vítimas, os reféns e suas famílias. Mas, como evidencia o volume, para compreender a tragédia em curso é necessário olhar também para as guerras que se sobrepõem naquela região: o longo e não resolvido conflito israelo-palestino e a contraposição que envolve o processo de normalização iniciado pelos Acordos de Abraão”.
“Ao mesmo tempo — prosseguiu Porta — não se pode ignorar o preço intolerável que a população civil de Gaza está pagando: as vítimas, a fome, a destruição, a impossibilidade de a imprensa relatar plenamente o que acontece no terreno. O direito à segurança de Israel não pode ser dissociado do respeito ao direito internacional humanitário, da proteção dos civis e do reconhecimento dos direitos do povo palestino”.
O Deputado Porta chamou particularmente a atenção para o capítulo do volume dedicado à inteligência artificial aplicada à guerra: “Quando a seleção dos alvos é confiada a algoritmos e o controle humano corre o risco de se reduzir a poucos segundos, coloca-se uma questão decisiva para o direito humanitário e para o princípio da proporcionalidade. Não diz respeito somente a Gaza: diz respeito ao futuro dos conflitos e interpela diretamente a Europa, que escolheu dotar-se de regras sobre a inteligência artificial.
O Deputado também destacou a necessidade de uma iniciativa internacional mais incisiva: “As dificuldades da ONU e a incapacidade da Europa de expressar uma linha unitária, crível e eficaz não podem deixar a política indiferente. São necessárias mediação, responsabilidade diplomática, empenho pelo cessar-fogo, pela libertação dos reféns, pela assistência humanitária e por uma reconstrução que seja acompanhada por um verdadeiro processo político.
“Como representante dos italianos no exterior, e em particular da América do Sul, conheço realidades nas quais comunidades de origem judaica e árabe, de fé cristã e muçulmana, vivem, trabalham e constroem juntos o próprio futuro. Essa convivência não é uma utopia: existe e demonstra que o ódio não é um destino inevitável”, concluiu Porta. “A Itália, por sua história mediterrânea e por sua tradição diplomática, pode e deve fazer mais: apoiar a mediação, a reconstrução e os direitos de ambos os povos, o direito de Israel de viver em segurança e o direito dos palestinos de finalmente ter um Estado. Livros como o de Napolitano nos ajudam a enfrentar essa responsabilidade com maior consciência”.
Fonte: Assessoria de Imprensa do Deputado Fabio Porta