O novo governo italiano nasce entre grandes esperanças e alguma perplexidade

O que devem esperar os italianos no mundo?

No último número de INSIEME eu concluía minha coluna com um presságio: a esperança de que, após a nefasta experiência do governo anterior (sobretudo para nós, italianos do Brasil e do mundo), o novo governo voltasse a ter uma abordagem positiva com os italianos e os “itálicos” no mundo. Não mais uma atitude incriminante e vexatória, como aconteceu após os dois “decretos segurança” que colocavam num único balaio os italianos que, do exterior, voltavam para a Itália, e os terroristas ou os clandestinos; e nem tão pouco um comportamento distraído e indolente, que, em vez de reforçar os serviços consulares colocando mais pessoas e mais recursos, permitiu a devolução a Roma de recursos do “fundo da cidadania”, bloqueando a contratação de novo pessoal. Hoje, o novo governo já está com todos seus poderes e, por sorte, dele não mais faz parte o partido da Lega (sempre hostil aos italianos no exterior como aos estrangeiros no Itália). No cargo de Subsecretário para os Italianos no Mundo, porém, ficou o ítalo-argentino Ricardo Merlo que,  durante o ano e meio que esteve no governo, jamais de rebelou diante de tantas injustiças e ineficiências que penalizaram milhões de nossos concidadãos. Como já tive oportunidade de declarar, a esperança é que a presença do Partido Democrático no governo possa contribuir também para mudar o comportamento de quem continua a ter a competência para as políticas dos italianos no exterior, e que possa finalmente mudar a maneira com a qual em todos esses anos a Itália olhou suas comunidades espalhadas pelo mundo. Não precisamos de assistencialismo, mas de eficiência; não queremos ser tolerados, mas valorizados. A comunidade de mais de 30 milhões de ítalo-brasileiros, como aquela de cerca de 250 milhões de “itálicos” no mundo constituem um motor extraordinário de desenvolvimento e riqueza para a Itália atual, ainda às voltas com uma recessão econômica e com uma ainda mais preocupante recessão demográfica. À crise econômica, de fato, pode-se responder (e o novo governo já está fazendo isso de forma correta) com uma política de rigor e de investimentos, em acordo com a União Europeia, onde agora a Itália reencontrou um papel de primeiro plano; à crise demográfica, entretanto, se responde apenas com políticas de longo alcance e inovadoras, que vejam nos italianos no exterior  um recurso e, não,  um problema para a Itália do futuro.

(Artigo de Fabio Porta na Revista INSIEME, outubro 2019)

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